DO CAOS ÀS CORES - O CINEMA AFRICANO DE ANDREW DOSUNMU


Do Caos às Cores - o cinema africano de Andrew Desunmu, por Naiara Paula

INTRODUÇÃO*


São famosas as imagens do catálogo de visitas dos irmãos Lumière entre 1896 e 1897, que “possuía cerca de sessenta filmes de viagens realizadas na região do Magreb: Argélia, Marrocos e Tunísia”, imagens feitas por Alexandre Promio, famoso operador de câmera dessa companhia. Segundo Joel Zito Araújo, cineasta e pesquisador brasileiro, no entanto, essas imagem contribuíam para um imaginário pejorativo sobre o que era a África e o africano e africana, apresentando uma ideia eurocêntrica e de representação questionável, “colocando-os como exóticos, animalescos, primitivos e apagando a pluralidade étnica e geográfica do continente”. Isso obviamente contribui para uma formação social e política europeia que se modelava, à época, por sua superioridade aos africanos, justificando a colonização e a banalização do corpo e da vida em geral do povo do continente africano.