A Estética Africana: guardiã das tradições - Introdução

 


Editado no Original por 
Kariamu Welsh-Asante

 

Pesquisa e Tradução para o Português de 
Naiara Paula

 

 

INTRODUÇÃO
Depois de quase vinte anos estudando estética africana, eu ainda me divirto quando alguém me pergunta sobre a relevância de examinar a cultura popular Africana Americana. A estética Africana America aborda particularmente roupas, cabelos, ornamentações, música e dança que está mais no centro de nossa cultura. Pouco do real entendimento dos conceitos, mitos e rituais da sociedade Africana Americana pode ser alcançado sem um apreciação da importância da cultura popular.
A cultura popular Africana Americana constitui um dos mais poderosos elementos para a beleza e inovação na sociedade americana. Isto é, claro, uma extensão em si da própria estética africana. Assim sendo, como em muitas linguagens tradicionais africanas, a palavra para “bom” e “beleza” é a mesma palavra. Possivelmente, muito mais importante do que o contexto sociológico para os Africanos Americanos seja o padrão de conexões que surgem quando examinamos o vínculo entre a estética Africana Americana e a Africana
Isto é indiscutivelmente uma afirmação da ancestralidade e uma aclamação da “memória do sangue”, como Larry Neal chama isto, que os africanos na América reteve uma significante essência da estética africana, o desenvolveu, embelezou e recontextualizou. Na área cultural onde a retenção tem sido fraca, os Africanos Americanos tiveram que recriar a forma. Um caso em questão tem sido nomear tradições: “Tamika”, “Shaqueeta”, “Nikia”, “Shaquan”, transmite a impressão e som da estética Africana sem sua forma original ou significado. 
Nós temos nos recuperado, nos tornamos recolocados na fonte Africana e nos familiarizamos novamente com o teatro, música, dances e artes da África como eles vieram direto do continente. Essa recuperação é realizada ao lado da nova cultura africana que surgiu na América. O fenômeno que continua a ocorrer é a síntese, a fusão e a reconstrução, que é uma parte vital da estética afro-americana.
Nós encontramos a corrente que segue o uso da estética na América Africana. É uma estética pan-africanista que é combinada, fundida e sintetizada em uma destacada colagem que não presta homenagem a nenhuma cultura específica, mas apresenta um dobale (gestos de respeito) para uma cultura Africana. O pano Kent na América não é mais de domínio exclusivo de Gana, mas é Africano; pano bokolafini não é mais de domínio do Mali, mas é Africano. Há uma contribuição única nesta forma indutiva de estética que é trançada dentro do padrão holístico de África. 
São os padrões-que-conectam o que tentei estabelecer em The African Aesthetic: Keeper of the Taditions. Filosoficamente, África é onde estão pessoas descendentes de Africanos. Há uma estética Shona, uma estética Zulu, uma estética Shilluk, uma estética Ewe, uma estética Wolof, mas não são as complexidades específicas do indivíduo e a miríade de estética da África que eu quero focar neste livro, mas as semelhanças na estética que faz um Ibo reconhecer um Kikuyu e um jamaicano reconhecer um Chewa e uma Africano Americano reconhecer um Soto. Existem diferenças e contradições que fornecem mais informações sobre como o padrão que se conecta pode permanecer assim depois de séculos de colonialismo, guerras, fome, doenças e migrações. 
A estética africana é visível da cultura popular às culturas clássicas. Na música, na dança, no teatro, no cinema e na arte, incluindo as artes do adorno corporal, surgem símbolos, cores, ritmos, estilos e formas que funcionam como histórias culturais de instrumentos artísticos. 
Alaine Locke, Zora Neale Hurston e Addison Gayle Jr. trataram da estética "Negro", "Black" e "Afro-American". Neste trabalho, o termo "Africano" aplica-se a todos os africanos, tanto continentais como diasporanos, e inclui termos historicamente usados tal como Negro, Black e Afro-American.
Eu me lembro quando The Black Aestetic, de Addison Gayle, foi publicado em 1971. Seu impacto para um volume de trabalho editado foi extraordinário. Outros escritores dançaram em torno da ideia de uma estética preta, mas geralmente era uma adição periférica e não a ideia central.
Du Bois e Carl Van Vechten também lidaram com a noção de uma estética, como ela está relacionada ao povo preto. Zora Neale Hurston em The Sanctified Church, é notavelmente atual, embora o capítulo sobre a estética seja muito breve.
Na Estética Africana: Guardião das tradições, o pluralismo de ideias e as disciplinas são demonstradas, embora não se tire nenhuma posição definitiva sobre a estética africana. As várias disciplinas estabelecem padrões-que-conectam uma semelhança, enquanto que uma afirmação da diversidade do mundo africano é também reforçada pela sua unidade cultural. A profunda estrutura que se manifesta nas culturas da África na diáspora é uma prova positiva da continuidade estética.
O processo estético, como parte do processo cultural, está em andamento, mas os fenômenos do cinema e da televisão do século XX ameaçaram e comprometeram seriamente as funções e formas estéticas do mundo africano. A capacidade do mundo ocidental de transmitir sua mensagem e cultura ao mundo inteiro é um feito tecnológico com implicações para o imperialismo cultural. A mídia desenvolveu uma estética própria, mas sua ligação é com a estética europeia.
Existem muitas tradições estéticas e o que este livro tenta abordar em parte é a estética Africana. Filosoficamente e artisticamente, o padrão-que-conecta também são os padrões-que-constroem. Portanto, pode-se fazer uma análise comparativa da estética em uma dança tradicional Ga e na obra de dança moderna de Alvin Ailey "Revelations" e descobrir o link. Pode-se ouvir Run DMC, (the dozens) saxofonista de jazz Max Roach e estabelecer uma conexão de padrões indicativos de uma estética que é africana por definição e tradição.

 

 

 

Imagem: Instagram. Página de onefotos - Casamento tradicional em Gana com os noivos vestidos com tecido kente.

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